Calçados
Quantos pares por ano: como calcular a reposição
Não existe número universal, e quem promete um está chutando. O número sai da sua própria operação. E ele já está na ficha de entrega, se ela estiver preenchida.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
Não existe "tantos pares por pessoa por ano". A vida útil depende da atividade, do piso, da jornada e da conservação, e varia mais entre duas funções da mesma empresa do que entre duas empresas do mesmo setor. O número certo é o da SUA operação. E se a ficha de entrega estiver preenchida, ele já está lá.
A pergunta chega sempre na mesma hora: montando o orçamento do ano. E a resposta que circula — um par por pessoa por ano — erra nos dois sentidos ao mesmo tempo, o que é raro e caro.
Por que "um par por ano" erra dos dois lados
Numa equipe de obra ou de manutenção pesada, um par por ano costuma faltar: o calçado sai de uso antes, e quem não previu a segunda troca acaba deixando alguém trabalhando com o par vencido enquanto a compra não sai. Numa equipe administrativa com calçado ocupacional, um par por ano costuma sobrar: par novo entregue com o anterior ainda em condição de uso é dinheiro parado no armário.
O mesmo número, aplicado às duas, produz falta de um lado e desperdício do outro. E as duas equipes costumam estar na mesma empresa.
O que a lei define, e o que ela não define
Nenhuma lei fixa quantos pares por ano. O artigo 166 da CLT obriga a empresa a fornecer o EPI gratuitamente, adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, e a NR-6 manda substituir imediatamente quando ele é danificado ou extraviado. Isso define a obrigação pela condição do par: se o calçado acabou no quarto mês, o segundo par é devido no quarto mês, e se dura dois anos, não há segundo par a dar no primeiro. O custo é sempre da empresa, como explica pode descontar EPI do salário.
A conta tem três parcelas, não uma
A maioria dos orçamentos só considera a primeira, e é por isso que estoura no meio do ano.
| Parcela | O que é | Como estimar |
|---|---|---|
| Reposição programada | A troca que acontece porque o par chegou ao fim da vida útil | Pelo histórico: quantas trocas por função aconteceram no último ano |
| Troca eventual | Dano, perda, acidente, produto químico derramado | Também pelo histórico. Costuma ser a parcela mais esquecida |
| Entrada de pessoal | Admissão e substituição ao longo do ano | Pela rotatividade da função, com a área de pessoal |
Somadas por função, e não pela empresa inteira, as três dão o número do ano. Somar pela empresa inteira devolve uma média que não descreve ninguém. A mesma conta vale para qualquer EPI de reposição, como luva, protetor auricular e óculos: o que muda é a vida útil de cada item, e não a lógica.
De onde tirar o número: o seu próprio histórico
Se a ficha de entrega de EPI registra data e motivo de cada entrega, a resposta já existe. Basta contar, por função, quantas entregas de calçado aconteceram nos últimos doze meses e dividir pelo número de pessoas naquela função.
É o dado mais confiável que existe sobre a sua operação, porque foi medido nela. Nenhuma estimativa de fornecedor, inclusive a nossa, chega perto disso. E é por isso que a ficha bem preenchida vale muito além da fiscalização.
O que puxa a vida útil para cada lado
Sem números, porque número sem medição na sua operação seria invenção. O que segue é a direção de cada fator, para você saber o que olhar quando duas funções derem resultados diferentes.
| Fator | Encurta a vida do par | Prolonga |
|---|---|---|
| Piso | Abrasivo, irregular, com material perfurante | Liso e íntegro |
| Jornada | Muitas horas em pé e alta quilometragem diária | Deslocamento curto |
| Umidade | Molha todo dia e não seca entre os turnos | Ambiente seco, ou dois pares em rodízio |
| Produto químico | Contato frequente com solvente, óleo ou saneante | Sem contato |
| Conservação | Secagem no sol, guarda amassado, limpeza agressiva | Rotina de limpeza e secagem adequada |
| Adequação do modelo | Calçado errado para a atividade, que se desgasta fora do previsto | Modelo compatível com o uso real |
E no primeiro ano, sem histórico?
Aí a estimativa é inevitável. As médias que circulam no mercado, de dois pares por ano em uso pesado como obra e um par em uso leve, servem como ponto de partida, desde que tratadas como chute educado e não como meta. E o jeito de errar menos é começar pela função mais exigente e não pela média. Estime a reposição das funções de campo separadamente das administrativas, deixe a reserva calculada sobre as primeiras, e trate o primeiro ano como o ano de levantar o dado, não de acertar o número.
Isso significa registrar cada entrega com data e motivo desde o primeiro par. No ano seguinte, a conta deixa de ser estimativa.
Dois pares em rodízio
Onde o calçado molha ou a pessoa sua muito, ter dois pares e alternar entre um dia e outro costuma render mais do que comprar um par de cada vez. Cada par tem um turno inteiro para secar, e é a umidade que ataca forro, costura e adesivo, como explica como limpar e conservar calçado de segurança.
Na conta do ano, o rodízio adianta a compra, porque a pessoa recebe dois pares de uma vez, e tende a espaçar as seguintes. Só a ficha de entrega dos meses seguintes mostra se compensou na sua operação.
Os dois erros que estouram o orçamento no meio do ano
Não contar a entrada de pessoal. Numa função com rotatividade alta, a admissão pode responder por uma parcela grande do consumo anual, e ela não aparece em nenhuma conta que parta só do quadro atual.
Reserva genérica. Guardar um par de cada número parece prudente e é a maneira mais cara de estocar calçado que ninguém vai usar. A reserva útil se concentra nos números mais frequentes da sua equipe, que a grade de numeração mostra de imediato. As margens de 10% a 20% que aparecem nas respostas de busca são uma convenção de planejamento, não regra; a calculadora de grade deixa você escolher a porcentagem e distribui a reserva pelos números mais usados.
Comprar o ano inteiro de uma vez?
Costuma não valer. Além de imobilizar capital, trava a grade num retrato da equipe que muda — quem entra e quem sai ao longo do ano muda a distribuição de numeração, e o estoque comprado em janeiro pode não servir a quem chegou em julho. Compra parcelada com a grade revisada a cada pedido acompanha a equipe real.
Antes de somar, confira se a troca era necessária
Uma parte do consumo anual costuma ser troca antecipada: par substituído por incômodo que era numeração errada, ou por escorregamento que era do piso e não do solado. Vale conferir os critérios em quando trocar o calçado de segurança antes de fechar o número do ano — às vezes a reposição cai sem ninguém comprar nada.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto atualizado)
- Equipamentos de Proteção Individual — Ministério do Trabalho e Emprego
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Quantos pares de calçado por funcionário por ano?
Não existe número universal, e quem dá um está chutando. Depende da atividade, do piso, da jornada e da conservação. O número da sua operação sai do histórico de entregas dos últimos doze meses, contado por função e não pela empresa inteira.
A empresa é obrigada a dar quantos pares de botina?
Não há número fixado em lei. A CLT e a NR-6 obrigam a empresa a fornecer gratuitamente e a substituir quando o calçado estiver danificado ou sem condição de proteger. Se o par acaba em quatro meses, a troca é devida em quatro meses, sem limite anual.
Vale dar dois pares para usar em rodízio?
Onde o calçado molha ou a pessoa sua muito, costuma valer: cada par seca um turno inteiro antes de voltar ao pé, e a umidade é o que mais encurta a vida do calçado. O histórico de entregas mostra depois se compensou.
Vale comprar o ano inteiro de uma vez?
Costuma não valer. Imobiliza capital e trava a grade num retrato da equipe que vai mudar: quem entra e quem sai ao longo do ano muda a distribuição de numeração, e o que foi comprado em janeiro pode não servir a quem chegou em julho.
Como sei se a equipe está trocando cedo demais?
Comparando o motivo registrado na ficha com os critérios de troca por condição. Boa parte da troca antecipada é par substituído por incômodo que era numeração errada, ou por escorregamento que vinha do piso e não do solado.