Normas
Ficha de entrega de EPI: o que precisa constar
O registro do fornecimento é o que comprova que a empresa entregou. Veja o que ele precisa trazer e os erros que aparecem em fiscalização.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
A NR-6 estabelece que o empregador registre o fornecimento do EPI ao trabalhador, e admite que esse registro seja feito em livro, ficha ou sistema eletrônico. Na prática, a ficha de entrega é a prova de que a empresa cumpriu a obrigação. E é o primeiro documento pedido quando alguém pergunta, inclusive na <a href="/conhecimento/fiscalizacao-de-epi-o-que-o-auditor-pede/">fiscalização de EPI</a>. O evento S-2240 do eSocial também pede o CA de cada EPI, mas não substitui esse registro, como explica <a href="/conhecimento/epi-no-esocial-o-que-entra-no-s-2240/">EPI no eSocial</a>.
A norma não publica um modelo oficial de ficha. O que ela exige é que o fornecimento fique registrado. Isso dá liberdade de formato e cria a dúvida que chega até nós com frequência: o que precisa estar escrito ali?
Ficha de EPI, de entrega, de recebimento ou de controle
São nomes diferentes para o mesmo documento: o registro de que um equipamento de proteção foi entregue a uma pessoa. Quem entrega chama de ficha de entrega ou de controle; quem assina, de ficha de recebimento ou termo de responsabilidade. A exigência é uma só, e a ficha é obrigatória no sentido de que o registro é: a NR-6 manda registrar o fornecimento, e a ficha é a forma mais comum de fazer isso.
O que a ficha precisa trazer
Um registro serve para responder, meses depois, a quatro perguntas: quem recebeu, o que recebeu, quando, e se foi orientado. Tudo o mais é organização interna.
- Identificação do trabalhador e da função — a função importa porque é ela que justifica o EPI escolhido.
- Descrição do equipamento entregue, com o número do Certificado de Aprovação (CA).
- Quantidade e data da entrega.
- Motivo, quando for substituição: desgaste, dano, extravio ou troca por outro modelo.
- Assinatura ou confirmação de recebimento do trabalhador.
- Registro de que houve orientação sobre uso, guarda e conservação.
O CA é o campo que mais some das fichas, e é o que dá sentido ao resto: sem ele, o documento comprova que algo foi entregue, mas não que era o equipamento aprovado para aquele risco. Como consultar o CA está explicado aqui.
Modelo de ficha de EPI
Não existe modelo oficial, e por isso qualquer formato serve, em Word, Excel, sistema ou papel para imprimir, desde que responda às perguntas acima. Também não existe modelo "atualizado para 2026": a alteração mais recente da NR-6, de 2025, mudou uma regra sobre o Certificado de Aprovação, e não o que a ficha precisa trazer. Um modelo simples tem duas partes.
Para baixar: modelo em PDF para imprimir, numa folha A4, ou planilha para editar no Excel, com lista de motivos pronta. Os dois trazem o cabeçalho, o termo de recebimento e a tabela de entregas descritos abaixo, sem nenhum dado preenchido.
O cabeçalho, preenchido uma vez por trabalhador: nome, função, setor, data de admissão e, se fizer sentido, numeração de calçado e tamanho de luva e de roupa. A tabela de entregas, com uma linha por item a cada entrega. Uma linha preenchida fica assim:
| Data | Equipamento | Nº do CA | Qtd. | Motivo | Assinatura |
|---|---|---|---|---|---|
| 05/10/2026 | Botina de segurança com biqueira, nº 41 | o número impresso no par entregue | 1 par | Primeira entrega | do trabalhador |
| 05/10/2026 | Luva de proteção contra agentes químicos, tamanho M | o número da embalagem | 2 pares | Primeira entrega | do trabalhador |
Uma linha por item, e não uma linha para o "kit": é isso que permite saber depois qual CA foi entregue e quando cada peça foi trocada. Se a empresa também entrega uniforme, ele pode ficar na mesma ficha, em linhas próprias, sabendo que uniforme comum não é EPI e não tem CA.
Como fazer o termo de recebimento
O termo é o parágrafo que a pessoa assina junto com a ficha. Ele faz sentido quando repete o que a NR-6 já atribui ao trabalhador, sem inventar obrigação nova. Uma redação possível, a ser validada pelo responsável pela segurança do trabalho da empresa:
Em uma frase
Declaro que recebi os equipamentos de proteção individual relacionados abaixo, gratuitamente, e que fui orientado sobre o uso adequado, a guarda e a conservação de cada um. Comprometo-me a usá-los apenas para a finalidade a que se destinam, a responsabilizar-me pela limpeza, guarda e conservação, a comunicar à empresa quando um equipamento for extraviado, danificado ou ficar impróprio para uso, e a cumprir as determinações sobre o uso adequado.
O termo assinado uma vez não substitui a assinatura de cada entrega. Ele registra o compromisso; as linhas da tabela registram o que foi entregue.
Os erros que a gente mais vê
- Ficha assinada em branco no dia da admissão, para ser preenchida depois. Isso não registra entrega nenhuma.
- Uma única linha para "kit de EPI", sem discriminar os itens nem os CAs.
- CA anotado uma vez e repetido nas entregas seguintes, mesmo quando o modelo mudou.
- Substituição registrada sem motivo, o que apaga o histórico de desgaste da função.
- Ficha guardada só na pasta do RH, longe de quem entrega no dia a dia — o registro atrasa e depois ninguém lembra.
Em equipe grande, o problema não é a ficha
É a rotina. Quando a entrega acontece no corredor, no meio do turno, o registro fica para depois, e depois vira nunca. O que costuma funcionar é amarrar a entrega a um momento que já existe: a troca programada, o início do mês, a reposição de numeração.
Ajuda também padronizar por função em vez de por pessoa. Quando a atividade define a lista, quem entrega não precisa decidir nada na hora, e a ficha vira conferência em vez de redação.
Ficha de EPI para trabalho em altura
A ficha é a mesma. O que muda é o cuidado de registrar cada componente com CA próprio em linha própria, em vez de uma linha para o conjunto, e de lembrar que a inspeção desse equipamento antes do uso é assunto da NR-35, com registro que não se confunde com a ficha de entrega. O sistema contra quedas de quem sobe em torre está em EPI para parque eólico.
A ficha não substitui a escolha certa
Vale dizer o óbvio, porque ele se perde: o registro comprova a entrega, não a adequação. Um EPI registrado com todas as assinaturas continua sendo o EPI errado se não protege do risco daquela atividade. A definição do que é adequado vem da avaliação de riscos da empresa, feita por profissional habilitado.
O resto das obrigações — quem fornece, quem paga, quem exige o uso — está reunido no texto sobre o que a empresa precisa saber sobre EPI.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto atualizado)
- Equipamentos de Proteção Individual — Ministério do Trabalho e Emprego
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
A ficha de entrega de EPI pode ser digital?
A norma não exige papel. O que a ficha precisa é identificar quem recebeu, o que recebeu e quando, e permitir comprovar a entrega. A forma de assinatura eletrônica aceitável deve ser confirmada com o responsável pela segurança do trabalho da empresa.
A ficha de EPI é obrigatória?
O registro da entrega é obrigatório pela NR-6, e a norma admite que ele seja feito em livro, ficha ou sistema eletrônico. A ficha é a forma mais comum. O que não pode é a entrega acontecer sem registro nenhum.
Quem fornece a ficha de EPI?
A empresa que entrega o equipamento. É ela quem elabora, preenche e guarda a ficha, porque é ela quem precisa comprovar a entrega. O fornecedor do EPI ajuda informando o CA de cada item, que é um dos campos da ficha.
A ficha de EPI tem validade?
Não. Ela é um registro contínuo, com uma linha por entrega, e não vence. Quando o espaço acaba, abre-se outra folha, e as anteriores continuam guardadas como histórico daquela pessoa.
Precisa anotar a numeração do calçado na ficha?
Não é exigência da norma, e vale a pena mesmo assim: com a numeração registrada, a reposição sai sem ninguém precisar experimentar de novo.
Por quanto tempo guardar as fichas?
A norma de EPI não fixa um prazo para esta ficha. A prática é manter enquanto durar o vínculo e pelos prazos de guarda de documentos trabalhistas, que devem ser confirmados com o responsável pela área na empresa.