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Calçados

Quando trocar o calçado de segurança

Não existe prazo em norma: a troca é por condição. Os sinais que pedem substituição, o que a validade do CA realmente significa e como montar a conferência.

Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · setembro de 2026

Em uma frase

Não existe prazo fixo em norma para trocar calçado de segurança. A substituição é por condição, não por calendário — e a data de validade que aparece no Certificado de Aprovação não é a vida útil do par que está no pé de alguém.

É a pergunta que chega dos dois lados: do gestor que precisa programar a reposição e da pessoa que desconfia que o par dela já era. As duas respostas que circulam por aí — "um ano" e "quando vencer o CA" — estão erradas, e a segunda mais do que a primeira.

A norma não dá prazo, dá condição

A NR-6 exige que o EPI seja fornecido em perfeito estado de conservação e funcionamento, e que seja substituído imediatamente quando danificado ou extraviado. Isso é um critério de estado, não de tempo. Um par que rodou seis meses numa obra pode estar vencido antes de um que rodou dois anos num escritório de manutenção.

Por isso a resposta útil não é um número de meses: é uma lista do que olhar, e a disciplina de olhar.

Validade do CA não é vida útil do calçado

Essa confusão é a mais comum e a mais cara. O Certificado de Aprovação tem prazo de validade, e esse prazo é da aprovação daquele modelo — é o período em que ele pode ser comercializado como EPI aprovado. Não é uma data de vencimento estampada no par que a pessoa calça.

Na prática, isso significa duas coisas ao mesmo tempo. Um calçado comprado com CA válido continua sendo o EPI adequado enquanto estiver em condições de uso, mesmo que o CA daquele modelo venha a vencer depois. E um calçado com o CA em dia pode estar impróprio hoje, se o solado estiver liso ou o cabedal rasgado. O CA responde por "este modelo foi aprovado"; o estado do par responde por "este calçado ainda protege".

Os sinais que pedem troca

O que observarPor que importaQuando trocar
Relevo do solado liso nas áreas de apoioÉ o relevo que garante a aderência. Liso, o calçado escorrega em piso que antes seguravaImediato onde escorregamento é o risco principal
Solado descolando do cabedalEntra água e produto, e o descolamento progride rápidoImediato
Biqueira à mostra ou deformadaPerdeu o revestimento ou levou impacto. Deformada, ela passa a pressionar os dedosImediato
Furo, rasgo ou costura aberta no cabedalDeixa de proteger contra respingo, perfurante lateral e entrada de materialImediato
Amortecimento sem resposta, sola interna achatadaA fadiga cresce e a pessoa começa a evitar o calçadoProgramar a troca
Contrafortes e forro internos rompidosMachucam o calcanhar e o pé passa a se deslocar dentro do calçadoProgramar a troca
Calçado que levou impacto forte na biqueiraA proteção pode ter sido consumida sem sinal visívelImediato, mesmo parecendo inteiro
Contato com produto químico agressivoCouro e adesivo podem estar comprometidos por dentroAvaliar; na dúvida, trocar

O sinal mais importante é o que ninguém olha

O solado é o item que mais decide a troca e o que menos se confere, porque fica virado para baixo. O ensaio de resistência ao escorregamento é feito com o calçado novo: o relevo é justamente o que desgasta com o uso. Em cozinha, em área da saúde e em limpeza, onde o escorregamento é o acidente mais provável, esse é o critério de troca mais importante — mais do que a aparência geral do par.

Vale o hábito simples: virar o calçado e comparar o relevo da área de maior apoio com o da lateral, que quase não toca o chão. Se a diferença é grande, o par já perdeu boa parte do que tinha.

Depois de uma pancada forte, troque

Calçado que recebeu impacto real na biqueira sai de circulação, mesmo aparentando estar inteiro. Uma biqueira de aço amassada passa a pressionar os dedos, o que a pessoa percebe. Uma de composite pode ter trincado por dentro sem nenhum sinal por fora — a diferença entre as duas está em biqueira de composite ou de aço. Nos dois casos, a proteção já foi usada uma vez e não se recupera.

O que encurta a vida do par

  • Secar no sol forte ou perto de fonte de calor: resseca o couro e descola o solado.
  • Lavar por dentro com frequência e guardar úmido: ataca costura, forro e adesivo.
  • Usar o mesmo par todos os dias sem intervalo de secagem, em atividade que molha ou faz suar muito.
  • Guardar amassado ou empilhado, que deforma o cabedal.
  • Produto químico de limpeza pesada aplicado no calçado sem indicação do fabricante.

Conservação não é detalhe doméstico: a NR-6 trata a higienização e a manutenção como parte da obrigação, e um par bem cuidado dura mais — o que muda o custo anual da equipe inteira.

Uma conferência que cabe na rotina

Não precisa de sistema. Precisa de periodicidade e de alguém responsável. Uma conferência visual por mês, feita junto com outra rotina que já existe, resolve: virar o calçado e olhar o solado, olhar biqueira e costuras, e perguntar à pessoa se está incomodando. Essa última pergunta encontra mais problema que as outras duas juntas — e quando a resposta é sim, nem sempre o caso é troca por desgaste.

Na hora de repor

A troca entra na ficha de entrega de EPI, com data e motivo — é o registro que demonstra que a substituição aconteceu quando precisava. E se a numeração da pessoa já estiver anotada na grade da equipe, o pedido sai sem ninguém precisar experimentar de novo.

Fontes

Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.

Perguntas frequentes

Calçado de segurança tem prazo de validade?

Não existe prazo fixo em norma. A substituição é por condição: a norma exige o EPI em perfeito estado de conservação e funcionamento, e a troca imediata quando ele estiver danificado.

Se o CA do modelo vencer, preciso trocar o calçado?

A validade do CA é da aprovação daquele modelo, e define o período em que ele pode ser comercializado como EPI aprovado. Não é a vida útil do par que já está em uso, que segue sendo decidida pelo estado do calçado.

Quanto tempo dura uma botina de segurança?

Depende inteiramente da atividade. Um par de obra pode acabar em seis meses e um de manutenção leve durar dois anos. Por isso a resposta útil é a lista do que olhar, e não um número de meses.

Atendimento direto

Na dúvida se o par já passou da hora?

Mande uma foto do solado e diga há quanto tempo está em uso e em que atividade. Dá para dizer se é caso de troca — e, se for, já sai com a reposição.

Sua mensagem já vai assimOlá! Vim pelo site da Tower. Li o texto sobre quando trocar o calçado de segurança e queria ajuda para avaliar os pares da minha equipe.O botão abre o WhatsApp, um serviço de terceiro. Você revisa e edita antes de enviar — nada é enviado automaticamente. Privacidade.