Calçados
Calçado de segurança feminino: o que muda de verdade
A proteção não muda: ela é do modelo, declarada no CA. O que muda é a numeração disponível e o formato, e é aí que o calçado da equipe costuma errar.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
A proteção de um calçado de segurança é do modelo, declarada no Certificado de Aprovação, e não depende de quem calça. O que muda para a mulher na equipe é outra coisa: se o modelo existe no número dela, e se o formato serve no pé dela. É nesses dois pontos que o calçado feminino costuma dar errado.
Quem procura botina de segurança feminina com CA, com biqueira ou sem, costuma esbarrar no mesmo problema. Em muita empresa, a compra de calçado é pensada pela maioria da equipe, e a minoria se ajeita com o que sobra: o menor número do modelo masculino, uma palmilha a mais, uma meia grossa. Essa improvisação é o caminho mais curto para o calçado que machuca e para o calçado que fica no armário.
A proteção é a mesma
Biqueira, solado antiderrapante, proteção contra perfuração e isolamento elétrico são requisitos ensaiados e declarados no CA de cada modelo. Um modelo feminino com os mesmos requisitos declarados protege o mesmo que um masculino. A cor e o acabamento também não mudam nada nessa conta. Para conferir o que um modelo cobre, o caminho está em o que é o CA.
O que muda: numeração e formato
A numeração brasileira mede só o comprimento do pé. A largura é outra medida, que os técnicos de calçado chamam de perímetro, tomada na parte mais larga da fôrma, e ela quase nunca vem marcada no calçado, como explica o dossiê do SENAI-RS sobre fôrmas e sistemas de medidas. Dois calçados do mesmo número podem ter larguras diferentes, porque foram feitos em fôrmas diferentes.
Por isso o número menor de um modelo masculino nem sempre resolve. O comprimento pode até bater, mas a largura e o volume da fôrma continuam os de um calçado pensado para outro pé. O sintoma é conhecido: o pé desliza dentro do calçado, o calcanhar sobe a cada passo e a bolha aparece no fim do turno. O diagnóstico completo está em botina que machuca.
O que a NR-6 diz sobre isso
A norma não fala de calçado feminino, mas fala de quem calça. Entre os critérios para selecionar o EPI está a adequação do equipamento ao empregado e o conforto oferecido, segundo avaliação do conjunto de empregados (item 6.5.2, alínea f, da NR-6). E a seleção é feita depois de ouvir os empregados usuários (item 6.5.2.2). Se as mulheres da equipe não entram no teste, a avaliação não é do conjunto. Quem participa dessa escolha está em quem escolhe o EPI.
Os improvisos que não funcionam
- Meia grossa para encher o calçado folgado. Esquenta, embola e não segura o calcanhar.
- Palmilha extra para diminuir o volume. Sobe o pé dentro do calçado e pode deixar os dedos mais perto da borda da biqueira.
- Amarrar mais apertado. Aperta o peito do pé sem resolver o comprimento.
- Um número abaixo para o pé não escorregar. Troca a folga pelo aperto nos dedos, e a biqueira não cede.
Como acertar o calçado das mulheres da equipe
- Levantar a numeração de cada pessoa, como em qualquer grade. O passo a passo está em grade de numeração, e a medida do pé pode ser feita na calculadora de tamanho de botina.
- Conferir se o modelo escolhido existe em todos os números da equipe, antes de fechar. Nem todo modelo é fabricado em toda a numeração.
- Testar o par no pé, em pé e andando, com a meia de trabalho, no fim do dia, quando o pé está mais inchado.
- Aceitar dois modelos na mesma função quando um só não serve para todos. A proteção declarada no CA precisa ser a mesma nos dois.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto oficial, PDF)
- SENAI-RS / SBRT — Fôrmas e sistemas de medidas para calçados (dossiê técnico), itens 4.1.3 e 4.2.2
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Existe botina de segurança feminina com CA e biqueira?
Existe calçado de segurança em forma feminina, com numeração e largura próprias, e cada modelo tem o seu CA. O que conferir é o mesmo de qualquer botina: se o CA declara a proteção que a função pede, como a biqueira, e se o modelo existe nos números da equipe.
Botina feminina protege menos que a masculina?
Não, se os requisitos declarados no CA forem os mesmos. Biqueira, solado e as demais proteções são ensaiados e declarados para cada modelo, e valem para quem calça, seja homem ou mulher.
Mulher pode usar botina masculina de número menor?
Pode, se o calçado servir de verdade no comprimento e na largura. A numeração brasileira mede só o comprimento; a largura depende da fôrma do modelo. Se o pé desliza, o calcanhar sobe ou a bolha aparece, o modelo não serve, mesmo no número certo.
Como saber o número certo da botina de segurança feminina?
Medindo o comprimento do pé, em pé e no fim do dia, e testando o par com a meia de trabalho. Os dedos não podem encostar na biqueira, e o calcanhar não pode subir ao andar.