Compra
Como montar o primeiro pedido de EPI da equipe
Cinco dados resolvem. Quatro deles você já sabe de cabeça, e o quinto é o que trava todo mundo: a numeração.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · setembro de 2026
Em uma frase
O primeiro pedido trava sempre no mesmo ponto: a grade de numeração. Levantar pessoa a pessoa antes de pedir preço evita a troca que vem depois. É a parte chata, e é a que mais economiza.
A primeira compra de EPI de uma equipe costuma começar por uma lista de itens e terminar em três semanas de troca de mensagens. Não porque seja difícil, mas porque os dados chegam picados.
Com cinco informações o pedido sai numa conversa só. Quatro você já sabe. A quinta dá trabalho.
Os cinco dados
| O dado | A pergunta que resolve | Onde isso já está explicado |
|---|---|---|
| A atividade de cada função | O que essa pessoa faz durante o turno, e onde ela pisa | Comece pela função, não pela pessoa |
| O risco | O que pode acontecer com ela: queda de objeto, respingo, escorregamento, ruído | Vem da avaliação de riscos da empresa |
| Quantas pessoas por função | Não o total da empresa. O total de cada função | É o que separa dois itens diferentes |
| A grade de numeração | Quantos pares em cada número, par a par | Como definir a grade da equipe |
| O prazo | Para quando precisa, e se é tudo junto ou em etapas | Muda a forma de fechar o pedido |
Comece pela função, não pela pessoa
Listar trinta nomes gera trinta linhas e nenhuma decisão. Listar seis funções gera seis decisões, e cada uma vale para todo mundo daquela função. A pessoa só volta a importar na hora da numeração.
Se duas funções pisam no mesmo chão e correm o mesmo risco, provavelmente usam o mesmo calçado. Se uma delas entra em câmara fria e a outra não, já são duas.
A grade é o passo que trava
É o único dos cinco que não se resolve numa reunião. Precisa perguntar a cada pessoa, e de preferência conferir, porque muita gente informa o número que usa em tênis. O caminho completo está em como definir a grade de numeração de uma equipe.
Vale o atalho: se a equipe é grande, comece pelas funções mais críticas e mande o resto depois. Meia grade certa anda mais rápido que a grade inteira estimada.
Quanto pedir da primeira vez
Na primeira compra não existe histórico de desgaste, então a conta é diferente da reposição. O que costuma funcionar é fechar o necessário para todo mundo mais uma reserva pequena de numeração comum, e observar o desgaste real antes de definir a periodicidade. A conta completa está em quantos pares por ano.
O que não precisa estar pronto
- O nome do produto. Descrever a atividade basta. Quem vende é que precisa saber o nome.
- O número do CA. Ele vem no orçamento, e serve justamente para você conferir depois.
- A grade inteira. Dá para pedir com o que já tem e completar antes de fechar.
- Uma decisão sobre marca. A marca é consequência do risco, e não o contrário.
O que precisa estar pronto é o entendimento do risco. Isso vem da avaliação de riscos da sua empresa, feita por profissional habilitado, e nenhum fornecedor substitui esse documento.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto oficial, PDF)
- Equipamentos de Proteção Individual — Ministério do Trabalho e Emprego
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Dá para começar só por uma função?
Dá, e costuma ser o caminho mais rápido em equipe grande. Feche a função mais crítica primeiro, veja como o par se comporta em duas semanas de uso real, e use isso para decidir o resto. Errar em seis pares é barato; errar em sessenta, não.
Como levantar a numeração sem medir todo mundo?
Perguntando, com uma ressalva. Muita gente informa o número que calça em tênis, e calçado profissional costuma calçar diferente. Um par de amostra por faixa, deixado com a equipe por alguns dias, resolve o que a lista sozinha não resolve.
Preciso saber o nome do produto para pedir?
Não. Descrever o que a pessoa faz e onde ela trabalha é suficiente, e é uma informação melhor do que o nome do produto. Quem escolhe pelo nome que ouviu falar costuma escolher pelo item errado.