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Como montar o primeiro pedido de EPI da equipe
Cinco dados resolvem. Quatro deles você já sabe de cabeça, e o quinto é o que trava todo mundo: a numeração.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
O primeiro pedido trava sempre no mesmo ponto: a grade de numeração. Levantar pessoa a pessoa antes de pedir preço evita a troca que vem depois. É a parte chata, e é a que mais economiza.
A primeira compra de EPI de uma equipe costuma começar por uma lista de itens e terminar em três semanas de troca de mensagens. Não porque seja difícil, mas porque os dados chegam picados.
Com cinco informações o pedido sai numa conversa só. Quatro você já sabe. A quinta dá trabalho.
Este guia é para quem compra pela empresa. Se você é funcionário e quer saber como pedir o seu EPI, a resposta curta está no fim da página.
Os cinco dados
| O dado | A pergunta que resolve | Onde isso já está explicado |
|---|---|---|
| A atividade de cada função | O que essa pessoa faz durante o turno, e onde ela pisa | Comece pela função, não pela pessoa |
| O risco | O que pode acontecer com ela: queda de objeto, respingo, escorregamento, ruído | Vem da avaliação de riscos da empresa |
| Quantas pessoas por função | Não o total da empresa. O total de cada função | É o que separa dois itens diferentes |
| A grade de numeração | Quantos pares em cada número, par a par | Como definir a grade da equipe |
| O prazo | Para quando precisa, e se é tudo junto ou em etapas | Muda a forma de fechar o pedido |
Quais EPI a empresa deve fornecer
Não existe uma lista única que valha para toda empresa. A obrigação está escrita em duas fontes, e as duas amarram o EPI ao risco. O artigo 166 da CLT obriga a empresa a fornecer, gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção. A NR-6 repete a obrigação no item 6.5.1 e acrescenta que só se compra EPI aprovado, com CA.
Quais itens, portanto, depende do que a função enfrenta. A NR-1 põe o EPI na última posição da hierarquia de prevenção: ele entra quando a proteção coletiva é inviável, insuficiente, está em implantação, ou em caráter complementar ou emergencial (item 1.5.5.1.2). Se o risco foi eliminado na fonte, o EPI para aquele risco deixa de ser exigido. Quem registra essa decisão é o Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR, e não a lista de compras.
Como fazer a lista de EPI da empresa
A lista começa no inventário de riscos do PGR. A NR-1 exige que ele traga, entre outras informações, a caracterização das atividades, a descrição dos perigos e a indicação dos grupos de trabalhadores expostos (item 1.5.7.3.2). É exatamente o que a lista de EPI precisa: quem faz o quê, exposto a quê.
Com o inventário em mãos, monte uma linha por função e passe cada uma pelas nove partes em que o Anexo I da NR-6 organiza os EPI: cabeça; olhos e face; proteção auditiva; proteção respiratória; tronco; membros superiores; membros inferiores; corpo inteiro; e quedas com diferença de nível. Percorrer as nove é o jeito de não esquecer item, e também de não comprar o que a função não pede.
Modelo de lista de EPI por função
As duas linhas abaixo mostram o preenchimento. São exemplo de formato, não recomendação: o EPI de cada função sai da avaliação de riscos da sua empresa.
| Função | O que faz e onde pisa | Risco, do inventário | EPI por parte do corpo | Pessoas | Numeração |
|---|---|---|---|---|---|
| Serviços gerais (limpeza) | Lava piso e banheiro; piso molhado | Escorregamento; contato com produto de limpeza | Membros inferiores: calçado fechado antiderrapante. Membros superiores: luva compatível com o produto usado | 8 | 4 no 37, 2 no 38, 2 no 40 |
| Repositor de estoque | Movimenta caixas no depósito | Queda de objeto sobre o pé | Membros inferiores: calçado com biqueira | 5 | 1 no 39, 3 no 41, 1 no 42 |
A lista por profissão ajuda a conferir se nada ficou de fora. Os guias por profissão e por setor mostram o que costuma mudar de uma função para outra.
A lista de compra não é a lista que o funcionário assina. Essa é a ficha de entrega de EPI, que registra cada item entregue a cada pessoa e tem modelo para baixar em PDF e em planilha.
Kit EPI básico: serve para começar?
O kit vendido pronto costuma juntar botina com biqueira, óculos de proteção, protetor auricular e um par de luvas. A NR-6 não define kit básico nenhum: EPI é o produto de uso individual feito para proteger contra os riscos que existem no ambiente de trabalho (item 6.3.1), e o risco muda de função para função.
Por isso o kit pode sobrar e faltar ao mesmo tempo. Sobra o protetor auricular para quem não está exposto a ruído. Falta proteção quando a luva genérica encontra produto químico, assunto de luva para produto químico, ou quando a botina comum pisa em chão molhado, assunto de solado antiderrapante. Use o kit como ponto de partida da conversa, não como lista fechada.
O kit feminino não muda a proteção. Muda a numeração e a modelagem, e isso se resolve na grade. O kit de primeiros socorros não é EPI: ele atende depois do acidente, e não substitui nenhum item que protege antes.
Comece pela função, não pela pessoa
Listar trinta nomes gera trinta linhas e nenhuma decisão. Listar seis funções gera seis decisões, e cada uma vale para todo mundo daquela função. A pessoa só volta a importar na hora da numeração.
Se duas funções pisam no mesmo chão e correm o mesmo risco, provavelmente usam o mesmo calçado. Se uma delas entra em câmara fria e a outra não, já são duas.
A grade é o passo que trava
É o único dos cinco que não se resolve numa reunião. Precisa perguntar a cada pessoa, e de preferência conferir, porque muita gente informa o número que usa em tênis. O caminho completo está em como definir a grade de numeração de uma equipe.
Vale o atalho: se a equipe é grande, comece pelas funções mais críticas e mande o resto depois. Meia grade certa anda mais rápido que a grade inteira estimada.
Quanto pedir da primeira vez
Na primeira compra não existe histórico de desgaste, então a conta é diferente da reposição. O que costuma funcionar é fechar o necessário para todo mundo mais uma reserva pequena de numeração comum, e observar o desgaste real antes de definir a periodicidade. A conta completa está em quantos pares por ano.
Modelo de pedido de EPI
Para pedir orçamento, a lista vira uma mensagem. Este roteiro cabe no WhatsApp ou no e-mail, e cada linha evita uma rodada de perguntas:
- Empresa e cidade de entrega.
- Cada função: o que faz, onde trabalha e quantas pessoas.
- Os itens que você já sabe que precisa, ou "não sei, quero ajuda para definir".
- A numeração que já levantou, mesmo incompleta.
- O prazo: para quando, e se pode ser em etapas.
- O que já usa e quer manter: foto da etiqueta com o número do CA.
O que não precisa estar pronto
- O nome do produto. Descrever a atividade basta. Quem vende é que precisa saber o nome.
- O número do CA. Ele vem no orçamento, e serve justamente para você conferir depois.
- A grade inteira. Dá para pedir com o que já tem e completar antes de fechar.
- Uma decisão sobre marca. A marca é consequência do risco, e não o contrário.
O que precisa estar pronto é o entendimento do risco. Isso vem da avaliação de riscos da sua empresa, feita por profissional habilitado, e nenhum fornecedor substitui esse documento.
Do pedido à entrega: a sequência
O pedido é só o começo. A NR-6 lista o que a empresa deve fazer com o EPI depois de comprado (item 6.5.1), e a ordem prática é esta:
- Conferir o CA na chegada. O número vem no item e na nota, e a consulta no CAEPI leva um minuto. Como fazer está em o que é o CA.
- Orientar e treinar cada pessoa: como usar, guardar, limpar e quando trocar (alínea b).
- Registrar a entrega em livro, ficha ou sistema eletrônico, inclusive biométrico (alínea d).
- Exigir o uso no dia a dia (alínea e).
- Substituir imediatamente o que for danificado ou extraviado (alínea g). Os sinais de troca do calçado estão em quando trocar o calçado de segurança.
É funcionário e precisa pedir o seu EPI?
A obrigação é da empresa, e o EPI é gratuito: o artigo 166 da CLT e o item 6.5.1 da NR-6 dizem isso com todas as letras. O pedido vai para quem cuida de segurança onde você trabalha, o técnico de segurança ou o SESMT quando existem, ou o supervisor e o RH quando não existem. A entrega fica registrada, e é comum você assinar a ficha. Se o item estragou ou sumiu, a troca também é obrigação da empresa, e as regras sobre desconto estão em empresa pode descontar EPI do salário.
Fontes
- NR-1 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (texto oficial, PDF)
- CLT — Decreto-Lei 5.452/1943, artigo 166
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto oficial, PDF)
- Equipamentos de Proteção Individual — Ministério do Trabalho e Emprego
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Quais EPI a empresa deve fornecer?
Os que a avaliação de riscos indicar para cada função, sempre gratuitos e com CA. Não há lista fixa: o artigo 166 da CLT e a NR-6 amarram a obrigação ao risco, e a NR-1 manda usar EPI quando a proteção coletiva não resolve sozinha.
Como fazer uma lista de EPI para a empresa?
Parta do inventário de riscos do PGR, monte uma linha por função e passe cada uma pelas nove partes do corpo do Anexo I da NR-6. Para cada função, anote o EPI, quantas pessoas e a numeração.
O que é um kit EPI básico?
É uma combinação comercial, geralmente botina com biqueira, óculos, protetor auricular e luva. A norma não define kit: serve como ponto de partida, mas pode faltar proteção para o risco real da função e sobrar item que ela não usa.
Qual é a sequência de entrega do EPI depois da compra?
Conferir o CA na chegada, orientar e treinar o trabalhador, registrar a entrega na ficha, exigir o uso e substituir o que for danificado ou extraviado. Todas essas etapas estão no item 6.5.1 da NR-6.
Dá para começar só por uma função?
Dá, e costuma ser o caminho mais rápido em equipe grande. Feche a função mais crítica primeiro, veja como o par se comporta em duas semanas de uso real, e use isso para decidir o resto. Errar em seis pares é barato; errar em sessenta, não.
Como levantar a numeração sem medir todo mundo?
Perguntando, com uma ressalva. Muita gente informa o número que calça em tênis, e calçado profissional costuma calçar diferente. Um par de amostra por faixa, deixado com a equipe por alguns dias, resolve o que a lista sozinha não resolve.
Preciso saber o nome do produto para pedir?
Não. Descrever o que a pessoa faz e onde ela trabalha é suficiente, e é uma informação melhor do que o nome do produto. Quem escolhe pelo nome que ouviu falar costuma escolher pelo item errado.