Proteção
EPI para carcinicultura: o metabissulfito na despesca
Numa fazenda de camarão o risco mais grave não está no viveiro. Está no saco de metabissulfito da despesca, que solta gás tóxico em contato com água e gelo.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
Numa fazenda de camarão o risco mais grave não está no viveiro. Está no saco de metabissulfito usado na despesca: em contato com água, gelo ou ácido, ele solta dióxido de enxofre, um gás corrosivo que pode matar quem o respira em lugar fechado.
O Ceará produz mais da metade do camarão cultivado no Brasil, e oito dos dez municípios que mais produzem estão no estado — Aracati e Jaguaruana à frente. O Rio Grande do Norte vem logo depois, com Pendências entre os maiores. São milhares de fazendas, muitas pequenas, em que a compra de EPI costuma cair no dono. Este texto acompanha a fazenda do viveiro ao gelo.
Metabissulfito: o gás que sai do gelo
O metabissulfito de sódio é usado logo depois da despesca para impedir que o camarão escureça. O perigo não é o pó em si: é o gás que ele libera quando encontra água, gelo ou ácido. O dióxido de enxofre irrita olhos e vias respiratórias, é corrosivo e, em concentração alta, pode causar asfixia. Há mortes registradas no manuseio em ambiente fechado, e quem tem asma é ainda mais sensível.
Por isso a primeira medida não é equipamento: é onde e como a solução é preparada. Ao ar livre ou em local bem ventilado, nunca em caixa fechada, porão ou câmara, e sempre na quantidade e no modo indicados na ficha de segurança do produto. Quem manuseia precisa saber reconhecer o cheiro e sair do lugar na hora.
Feito isso, o EPI do manuseio tem três partes. Proteção respiratória com filtro para gases — o filtro para partículas, da máscara de pó, não retém gás nenhum, como explica por que a máscara descartável não protege de vapor; a classe do filtro sai da ficha de segurança e da avaliação de riscos. Proteção para os olhos contra respingo e gás, que as opções em proteção para olhos e face ajudam a escolher. E luva e avental impermeáveis, de material compatível com o produto, pelo mesmo raciocínio de qualquer luva para produto químico.
O viveiro: água, lama e sol
Despesca, manejo e limpeza de viveiro são feitos com o corpo dentro da água e da lama. Onde é assim, a resposta é bota impermeável de cano alto, ou vestimenta impermeável até o peito quando a água passa do joelho. O critério está em quando a bota de PVC é a resposta certa.
O resto do dia é a céu aberto, no sol do litoral. Roupa de manga longa e proteção de cabeça que cubra a nuca entram na conversa, e pausa, água e sombra são medidas que nenhum equipamento substitui.
Cal e insumos do viveiro
A preparação do viveiro usa cal e outros corretivos, e alguns deles são cáusticos para a pele e para os olhos. Quem espalha o produto precisa de luva, óculos e, conforme a ficha de segurança, proteção respiratória para a poeira. Saco de ração e de insumo também pesa, e a carga manual repetida é o que mais aparece como queixa no fim da safra.
Gelo, caixa e beneficiamento
Depois da despesca vêm o gelo e as caixas: mão no frio o tempo todo, peso e piso molhado. Luva para frio, calçado impermeável e antiderrapante. Quando a fazenda tem unidade de beneficiamento, o ambiente passa a ser o de uma indústria de pescado, com frio, faca e piso molhado, e o critério está em EPI para frigorífico e câmara fria.
O que costuma faltar no pedido
- Respirador com filtro para gases no manuseio do metabissulfito, no lugar da máscara de pó.
- Proteção para os olhos contra respingo para quem prepara a solução.
- Luva e avental impermeáveis para o metabissulfito e para a cal, separados da luva de manuseio da caixa.
- Bota de cano alto ou vestimenta impermeável para quem entra no viveiro.
- Luva para frio para quem trabalha no gelo depois da despesca.
O que verificar antes de comprar
- Onde a solução de metabissulfito é preparada, e se o local é aberto e ventilado.
- A ficha de segurança do metabissulfito e da cal usados na fazenda.
- Quem entra no viveiro, e até que altura a água chega.
- Se a fazenda tem unidade de beneficiamento, com câmara fria.
- O CA de cada item, lembrando que proteção respiratória, dos olhos e química são aprovações separadas.
Fontes
- Ceará produz 6 em cada 10 camarões consumidos pelos brasileiros; veja os maiores produtores — Diário do Nordeste
- Camarão brasileiro: um tesouro nacional — Ministério da Pesca e Aquicultura
- O metabissulfito de sódio e o seu uso na carcinicultura — Revista Panorama da Aquicultura
- Uso do metabissulfito de sódio — Acta Scientiarum, Universidade Estadual de Maringá
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto oficial, PDF)
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Por que o metabissulfito da despesca é perigoso?
Porque, em contato com água, gelo ou ácido, ele libera dióxido de enxofre, um gás corrosivo que irrita olhos e vias respiratórias e pode causar asfixia em concentração alta. O risco maior é o manuseio em lugar fechado, sem ventilação.
Máscara de pó protege do gás da despesca?
Não. O filtro para partículas retém poeira, e não gás. Para o dióxido de enxofre, o respirador precisa de filtro para gases, e a classe sai da ficha de segurança do produto e da avaliação de riscos da empresa.
Onde preparar a solução de metabissulfito?
Ao ar livre ou em local bem ventilado, nunca em caixa fechada, porão ou câmara, e na quantidade e no modo indicados na ficha de segurança do produto. É a medida que mais protege, e vem antes do equipamento.