Proteção
Máscara descartável não protege de vapor químico
A PFF retém partícula. Vapor e gás exigem respirador com filtro químico. São equipamentos diferentes, com CAs diferentes.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
A peça facial filtrante (PFF) retém material particulado: poeira, névoa, fumo. Ela não retém vapor nem gás químico. Para isso é preciso respirador com filtro químico apropriado à substância. Outro equipamento, com outro Certificado de Aprovação.
É o erro mais perigoso da nossa rotina, e o mais silencioso. A pessoa está usando máscara, a empresa entregou EPI, a ficha está assinada. E a proteção contra o risco que existe ali é zero. Como vapor químico nem sempre tem cheiro forte, a falha só aparece em exame ou em sintoma.
Partícula e vapor são coisas diferentes
A PFF funciona como uma peneira muito fina: o material do filtro segura partículas sólidas e líquidas suspensas no ar. Vapor químico não é partícula. São moléculas em fase gasosa, e elas atravessam esse material sem resistência.
Reter vapor exige outro princípio: um filtro químico, com material que adsorve aquele tipo de substância. É por isso que filtro químico tem indicação de uso e vida útil próprias, e não serve para qualquer produto.
Para que serve a PFF2, então
Para partícula no ar: poeira de obra, de madeira e de grão, névoa que não é oleosa, fumo metálico e aerossol com agente biológico, como em serviço de saúde. É uma peça descartável, e todo modelo vendido como EPI tem Certificado de Aprovação, com o número impresso na própria máscara e consultável no sistema do CA.
- Com ou sem válvula: a válvula facilita a expiração e deixa a máscara menos quente e úmida, com a mesma proteção para quem usa. Mas o ar que sai pela válvula não é filtrado, e por isso, onde a máscara também precisa proteger quem está em volta, como em atendimento de saúde, o modelo é sem válvula.
- PFF2 e N95: N95 é a classificação americana, e PFF2 é a brasileira. As duas são de partícula e com eficiência parecida, mas, no trabalho, vale a PFF2 com Certificado de Aprovação brasileiro.
- Fumaça: é mistura. A parte de partícula a PFF2 retém; os gases da fumaça, como o monóxido de carbono, passam direto.
- Pintura: com tinta à base de solvente, não, porque o solvente evapora e vira vapor. A névoa da pistola é partícula, e por isso pintura costuma pedir filtro combinado, para os dois.
- Produto de limpeza: o cheiro que incomoda na diluição é vapor ou gás, e a PFF2 não segura nenhum dos dois.
- PFF2 com carvão ativado: a camada de carvão reduz o incômodo do odor, mas a peça continua sendo para partícula, como explicado em como escolher o filtro do respirador.
PFF1, PFF2 e PFF3 diferem na eficiência de filtração de partículas, que cresce de uma para a outra: a PFF2 retém pelo menos 94% das partículas no ensaio, mais que a PFF1, e a PFF3 retém mais que as duas. A classe certa vem do agente e do nível de exposição, e a comparação completa está em proteção respiratória.
Onde o erro mais aparece
- Pintura e aplicação com solvente, inclusive em manutenção predial e funilaria.
- Manuseio de cola e solvente em fábrica de calçado e em marcenaria.
- Diluição e aplicação de produto de limpeza concentrado, sobretudo em ambiente fechado.
- Aplicação de defensivo agrícola, onde a exigência vem do próprio rótulo do produto.
- Serviços de desinfecção e sanitização com produto químico nebulizado.
Nesses casos a PFF pode ser necessária para a parte particulada da exposição. Mas não substitui o filtro químico, e a combinação certa depende da substância.
Qual máscara usar para produto químico
A máscara para produto químico é um respirador reutilizável com cartucho, e não uma peça descartável. Ela existe em dois formatos: a semifacial, que cobre nariz e boca, e a facial inteira, que cobre também os olhos e é a escolha quando o produto irrita a vista. O que protege é o cartucho, escolhido pela classe da substância: vapores orgânicos para solvente, tinta e cola; gases ácidos, que é a classe que os fabricantes indicam para cloro; amônia; entre outras.
A classe sai da ficha de informações de segurança do produto, e não do nome comercial. Quando há partícula e vapor ao mesmo tempo, o filtro é combinado. O passo a passo da escolha do cartucho e da troca está em como escolher o filtro do respirador.
Como saber se o respirador da equipe está certo
- Identifique o produto: nome comercial e ficha de informações de segurança.
- Veja se a exposição é a partícula, a vapor ou a ambos — isso define a classe do equipamento.
- Confira o Certificado de Aprovação do respirador e do filtro, que são emitidos para usos determinados.
- Verifique a vedação: respirador que não sela no rosto não protege, por melhor que seja o filtro.
- Estabeleça a troca do filtro. Filtro químico tem saturação, e ela não se vê.
A definição do equipamento adequado para exposição química depende da avaliação de riscos da empresa, com medição quando for o caso, feita por profissional habilitado. O que este texto resolve é a confusão de categoria. Ela sozinha já responde por boa parte dos casos que chegam até nós.
A classe da PFF não muda isso
Uma dúvida que aparece em seguida: "e se eu usar uma PFF3, que é mais protetora?". A classe da PFF indica eficiência de filtração de partículas. Subir de classe retém mais particulado, e não cria capacidade de reter vapor. É outra dimensão do problema.
As classes e o que cada uma resolve estão explicadas na página de proteção respiratória.
Fontes
- Equipamentos de Proteção Individual — Ministério do Trabalho e Emprego
- HU-UFMA/Ebserh — Caderno de respiradores (PFF2, N95 e uso em serviços de saúde)
- Consulta ao Certificado de Aprovação (CA) — gov.br
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Como sei se preciso de PFF ou de filtro químico?
Pelo agente, não pelo produto. Poeira, névoa e fumo são partículas e pedem PFF. Vapor e gás atravessam a PFF e pedem filtro químico específico. Qual é o caso da sua atividade vem da ficha do produto e da avaliação de exposição da empresa.
Para que serve a PFF2?
Para reter partícula suspensa no ar: poeira, névoa não oleosa, fumo metálico e aerossol com agente biológico. Ela não retém vapor nem gás, então não serve para solvente, tinta à base de solvente, cheiro de produto de limpeza ou os gases da fumaça.
Qual máscara usar para trabalhar com cloro?
Respirador com cartucho químico da classe que o fabricante indica para cloro, que costuma ser a de gases ácidos, conferida no Certificado de Aprovação do filtro. Se o produto irrita os olhos, facial inteira. A PFF2, com ou sem carvão, não serve.
Quantas vezes posso usar a máscara PFF2?
Não existe um número fixo. Ela é descartável e sai de uso quando fica suja, úmida, amassada, com elástico frouxo, quando passa a ficar difícil respirar por ela ou quando deixa de vedar no rosto, o que vier primeiro, respeitando a orientação do fabricante e do serviço onde é usada.
Uma PFF3 resolve vapor químico?
Não. A classe da PFF indica eficiência de filtração de partículas: subir de classe aumenta a retenção de particulado e não cria capacidade de reter vapor. É outra dimensão do problema.
O que usar contra vapor químico?
Respirador com filtro químico adequado à substância, definido a partir da ficha do produto e da avaliação de exposição da empresa, com o uso indicado constando no Certificado de Aprovação.