Proteção
Plug ou concha: qual protetor auditivo usar
Os dois protegem. O que decide é o que acontece no meio do turno: quem tira, quem coloca errado, quem não escuta o colega. A escolha é de rotina, não de catálogo.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
Os dois tipos protegem quando a atenuação atende ao ruído medido. O que separa um do outro é a rotina: quantas vezes a pessoa tira e recoloca, se usa óculos ou capacete, se o ambiente é quente, e se ela precisa ouvir alguém. Protetor que sai da orelha no meio do turno tem atenuação zero.
A escolha entre inserção e concha costuma ser tratada como preferência pessoal. Não é bem isso. Cada um falha de um jeito diferente, e o jeito de falhar é que decide qual serve para a sua equipe.
Antes de qualquer comparação, um ponto que não se negocia: a atenuação necessária vem da medição de ruído da atividade, feita pela empresa. Nenhum catálogo substitui esse número, e ele é o que define quais modelos entram na conversa. O que consta no Certificado de Aprovação de cada protetor é a atenuação que ele foi aprovado para oferecer.
Os três tipos que a NR-6 reconhece
O Anexo I da NR-6 lista três tipos de protetor auditivo, todos para proteger contra ruído acima dos limites da NR-15 (item C.1): o circum-auricular, que é a concha, também chamada de abafador; o de inserção, que é o plug; e o semiauricular, em que as pontas ficam na entrada do canal auditivo, presas a uma haste. Este artigo compara os dois primeiros, que são os mais comprados. Não existe um tipo melhor fora da rotina da tarefa.
O plug também muda de material. O de espuma moldável é comprimido com os dedos antes de entrar e se expande dentro do canal, e costuma ser descartável. O pré-moldado, de silicone ou copolímero, tem formato fixo, aceita lavagem e é reutilizável, muitas vezes com cordão. Os dois existem com CA; o que diz como colocar, limpar e quando trocar cada modelo é o manual do fabricante.
Como cada um falha
| Inserção (plug) | Concha (abafador) | |
|---|---|---|
| A falha mais comum | Colocado sem vedar, o que a pessoa não percebe | Afastado da orelha por haste de óculos ou cabelo |
| Retirada frequente | Ruim: cada recolocação é uma chance de errar | Bom: sai e volta em um gesto |
| Ambiente quente | Bom: não abafa a cabeça | Ruim: esquenta, e é o que faz a pessoa tirar |
| Com óculos ou capacete | Não conflita | Conflita, a menos que seja modelo para capacete |
| Higiene | Exige mão limpa a cada colocação | Não entra no canal auditivo |
| Conferência pela chefia | Difícil ver de longe se está bem colocado | Fácil: ou está na cabeça, ou não está |
Repare que as duas colunas se invertem conforme a linha. É por isso que a pergunta "qual é melhor" não tem resposta fora do contexto da tarefa.
A regra prática que funciona
- Ruído contínuo, pessoa fixa num posto, ambiente quente: inserção costuma se sustentar melhor ao longo do turno.
- Entra e sai da área ruidosa o tempo todo: concha, porque cada recolocação de plug é uma chance de vedar mal.
- Já usa óculos de proteção ou capacete: confira a compatibilidade antes. Concha e haste de óculos disputam o mesmo espaço. Para quem usa capacete, existe concha acoplada, que encaixa no próprio capacete; o manual diz com quais modelos ela é compatível.
- Precisa conversar ou ouvir alarme: esse é um critério de segurança por si só, e muda a escolha do modelo.
- Dúvida real entre os dois: deixe as duas opções com a equipe por alguns dias. A que continua na orelha no fim do turno é a resposta.
O erro que anula os dois
Protetor auditivo é o EPI que mais sai do corpo durante o trabalho. Sai para atender o rádio, para entender uma instrução, porque incomoda no calor, porque a pessoa vai ficar "só um minuto" na área.
Cada minuto sem proteção pesa muito mais do que parece, porque a exposição é cumulativa ao longo do turno. Um protetor de atenuação alta usado metade do tempo protege menos que um de atenuação adequada usado o tempo inteiro. É por isso que conforto entra aqui como critério técnico, e não como luxo.
A NR-15 mostra a conta. Pelo Anexo 1, a exposição máxima permitida a 85 dB(A) é de 8 horas; a 90 dB(A), de 4 horas; a 95 dB(A), de 2 horas. Cada 5 decibéis a mais cortam o tempo pela metade, e alguns minutos sem protetor num ambiente alto consomem uma parte grande do limite do dia.
O que quer dizer "30 dB" na embalagem
O número em decibéis na embalagem e no CA é a atenuação medida em ensaio de laboratório, com o protetor colocado do jeito certo. Ele não é para ser subtraído de cabeça do ruído medido no posto: quem converte esse valor em proteção real é a avaliação de ruído da empresa. Concha de 30 dB mal assentada, por cima da haste dos óculos, entrega bem menos do que o número promete.
Durabilidade e validade
O plug descartável é de uso único. O reutilizável e a concha duram pelo estado: espuma endurecida, plug que não volta ao formato, haste frouxa e almofada ressecada ou rachada param de vedar. O prazo de uso e a forma de limpar estão no manual do fabricante, e a NR-6 manda a empresa passar essas informações ao empregado na entrega, incluindo manutenção e substituição (item 6.7.2, alínea e).
Validade é outra coisa: há a data de validade do produto, indicada pelo fabricante, e a do CA, que é do modelo. A diferença entre as duas está em validade e descarte de EPI.
O que verificar antes de comprar
- O nível de ruído medido na atividade. Sem ele, não há como saber se o modelo atende.
- A atenuação que consta no CA do modelo, e não a do catálogo do fabricante.
- A compatibilidade com os outros equipamentos que a pessoa já usa.
- Se existe necessidade de comunicação, e como ela será resolvida.
- Quantas vezes por turno a pessoa entra e sai da área ruidosa.
A perda auditiva induzida por ruído é gradual e não dói. Quando a pessoa percebe, o dano já aconteceu, e ele não volta. É a razão de este ser um dos EPIs em que a disciplina de uso vale mais que a especificação.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual (texto oficial, PDF)
- NR-15 — Atividades e operações insalubres, Anexo 1 (texto oficial, PDF)
- Consulta ao Certificado de Aprovação (CA) — gov.br
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Qual protetor auricular é melhor, concha ou plug?
Depende da rotina. O plug costuma se sustentar melhor em posto fixo e ambiente quente; a concha, para quem entra e sai da área ruidosa o tempo todo. Os dois protegem quando a atenuação do CA atende ao ruído medido e quando ficam no lugar o turno inteiro.
Quando usar protetor auricular tipo concha?
Quando a pessoa tira e recoloca o protetor muitas vezes por turno, quando a chefia precisa ver de longe se ele está em uso e quando o plug incomoda ou não veda. Com capacete, existe concha acoplada. Em ambiente quente, a concha esquenta e tende a ser retirada.
Quais são os tipos de protetor auditivo?
A NR-6 reconhece três: circum-auricular (a concha ou abafador), de inserção (o plug, de espuma ou pré-moldado de silicone ou copolímero) e semiauricular, com pontas na entrada do canal presas a uma haste. Todos precisam de CA.
Usar os dois ao mesmo tempo dobra a proteção?
Não dobra. O uso combinado aumenta a atenuação, mas bem menos do que a soma dos dois, porque o som também chega por condução óssea. É uma decisão que depende do nível de ruído medido e não deve ser tomada por conta própria.
Algodão no ouvido serve para nada mesmo?
Não serve, e é perigoso justamente por parecer que serve. Algodão não veda o canal auditivo, não tem atenuação ensaiada e não tem Certificado de Aprovação. A pessoa fica com a sensação de estar protegida, que é o pior resultado possível.
Qual a durabilidade de um protetor auricular tipo plug?
O plug descartável é de uso único. O reutilizável, de silicone ou copolímero, dura enquanto veda: endureceu, rachou ou não volta ao formato, troca. A concha se avalia pelo mesmo critério, olhando haste e almofada. O manual do fabricante traz o prazo de cada modelo.