Proteção
EPI para serigrafia e estamparia: tela, tinta, estufa e prensa
Na estamparia, cada etapa tem um risco: química na tinta e na limpeza de tela, calor na estufa e na prensa, água na lavagem. O EPI segue a etapa, e a ficha de cada produto decide o resto.
Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em
Em uma frase
A estamparia junta três riscos que não se parecem: produto químico na tinta, no adesivo e na limpeza da tela; calor na estufa, no secador e na prensa de sublimação; e água na lavagem da tela. Cada etapa pede um EPI diferente, e a ficha de segurança de cada produto decide o resto.
A confecção é um dos maiores segmentos da indústria cearense: entre 2007 e 2020, respondeu em média por 29,3% das firmas industriais do estado e por 20,5% do pessoal ocupado na manufatura, segundo o IPECE. Estampar é etapa comum dessa produção, feita dentro da fábrica ou em estamparia terceirizada, e quase sempre com a mesma lista de EPI para todas as bancadas. É aí que a proteção erra.
Tinta e adesivo de mesa
Tinta à base de água costuma pedir menos proteção do que tinta com solvente, mas quem diz é a Ficha com Dados de Segurança, a FDS, de cada produto, não o rótulo da frente. Contra vapor de solvente, o Anexo I da NR-6 prevê peça com filtro químico (item D.1, alínea e), e a máscara descartável PFF, que é para partícula, não serve, como explica máscara descartável não protege de vapor químico.
O adesivo de mesa aplicado em spray junta névoa e vapor. Para os dois ao mesmo tempo, a NR-6 prevê filtros combinados (item D.1, alínea e). Antes do respirador, exaustão no ponto e ventilação protegem a sala inteira, como explica EPI e EPC. Nas mãos, a luva é a de proteção contra agentes químicos (item F.1, alínea f), escolhida pelo produto, porque cada material de luva resiste a um grupo diferente; o passo a passo está em luva para produto químico.
Gravação e recuperação da tela
Emulsão, removedor de emulsão, desengraxante e solvente de limpeza são produtos químicos, cada um com sua FDS. A recuperação da tela é a etapa mais química da estamparia e a que mais costuma ficar sem proteção, porque parece limpeza. Luva química, óculos bem vedados contra respingo e, conforme a FDS, respirador com filtro químico.
Na gravação, a insoladora usa luz ultravioleta. Quando a luz fica exposta ao operador, o Anexo I prevê óculos contra radiação ultravioleta (item B.1, alínea c).
Lavagem da tela: água o turno inteiro
Lavar tela com mangueira ou lavadora de pressão molha o corpo e o chão. A NR-6 tem vestimenta para o tronco contra umidade de operações com água (item E.1, alínea f), luva contra umidade (item F.1, alínea h) e calçado contra umidade (item G.1, alínea f). Com produto químico na água, a proteção química vale junto. Para o pé, a resposta costuma ser a bota de PVC, e para o piso molhado, solado ensaiado para essa condição.
Estufa, secador e prensa de sublimação: calor
A cura da tinta em estufa ou secador e a transferência na prensa térmica de sublimação trabalham com superfície quente perto da mão. O EPI é a luva para proteção das mãos contra agentes térmicos (item F.1, alínea d), com o CA declarando essa proteção. Luva de algodão comum não é luva térmica.
O que cada bancada usa
| Etapa | Risco principal | O que costuma entrar |
|---|---|---|
| Impressão com tinta de solvente | Vapor, contato com a pele | Respirador com filtro químico, luva química |
| Adesivo de mesa em spray | Névoa e vapor | Respirador com filtro combinado |
| Recuperação da tela | Produto químico, respingo | Luva química, óculos vedados, respirador conforme a FDS |
| Lavagem da tela | Água, piso molhado | Vestimenta e luva contra umidade, bota impermeável |
| Estufa, secador e prensa | Calor | Luva contra agentes térmicos |
A tabela mostra o que costuma aparecer, não uma regra: o conjunto de cada posto sai da avaliação de riscos e da FDS dos produtos usados ali. O corte e a costura da mesma confecção têm outros riscos, explicados em EPI para indústria têxtil. Para pintura com pistola em outros materiais, o caso é parecido com o de EPI para pintor.
Antes de pedir o EPI da estamparia
- A FDS de cada tinta, adesivo, emulsão, removedor e solvente usado.
- As etapas feitas na casa: impressão, gravação, recuperação, lavagem, cura, sublimação.
- Se há exaustão nas bancadas de tinta e de limpeza.
- Quem faz cada etapa, para não comprar a mesma lista para todos.
- O tamanho de luva e a numeração de calçado de cada pessoa.
Fontes
- NR-6 — Equipamento de Proteção Individual, Anexo I (texto oficial, PDF)
- IPECE — Enfoque Econômico nº 247: Indústria da confecção no Ceará, relevância e desempenho recente (março de 2023, PDF)
Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.
Perguntas frequentes
Qual máscara usar em serigrafia?
Depende da tinta e do produto de limpeza. Contra vapor de solvente, peça facial com filtro químico; com adesivo em spray, filtro combinado. A FDS de cada produto indica a proteção. A PFF, que é para partícula, não segura vapor.
Que luva usar na limpeza da tela de serigrafia?
Luva de proteção contra agentes químicos, escolhida pelos produtos usados: emulsão, removedor, desengraxante e solvente. Cada material de luva resiste a um grupo de produtos, e a FDS indica qual.
Qual EPI usar na prensa de sublimação?
Luva para proteção das mãos contra agentes térmicos, com o CA declarando essa proteção (NR-6, Anexo I, item F.1, alínea d). Luva de algodão comum não protege contra a superfície quente da prensa.