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Proteção

EPI para beneficiamento de castanha de caju

Na castanha de caju o risco tem nome: o líquido da casca. Ele queima a pele, e quase tudo o que a fábrica precisa de EPI existe por causa dele.

Revisado por Helano, técnico de segurança do trabalho · Atualizado em

Em uma frase

Na castanha de caju o risco tem nome: o líquido da casca, que o setor chama de LCC. Ele é cáustico, gruda na pele e queima. Luva, avental, lavagem, reposição durante o turno — quase tudo o que uma fábrica de castanha precisa de EPI existe por causa dele.

O Ceará é o maior produtor de castanha de caju do país, e o beneficiamento acontece em duas escalas muito diferentes: a indústria grande, mecanizada, e as minifábricas do interior, modelo que a Embrapa desenvolveu com uma fábrica-escola em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza. O risco é o mesmo nas duas. O que muda é quem compra o EPI e como a compra é feita.

O líquido da casca organiza o resto

Entre a casca e a amêndoa existe um líquido escuro e pegajoso. Ele contém ácido anacárdico, que irrita e queima a pele por contato, e não sai com água. O dano aparece nas mãos de quem corta, quebra e separa castanha sem proteção: rachaduras, dor e, em casos documentados no Nordeste, a perda das digitais.

Daí vem a regra que mais se erra no setor: a proteção das mãos é química, e não mecânica. Luva de pano ou de malha absorve o líquido e o segura contra a pele, o que é pior do que não usar nada. A luva precisa ser de material compatível com o LCC, confirmado na tabela do fabricante da luva. O raciocínio é o mesmo de qualquer luva para produto químico: tempo de contato e compatibilidade, e não a aparência.

Um sinal prático de que a luva está errada aparece antes de qualquer laudo: ela escurece por dentro, amolece ou fica pegajosa no meio do turno. Quando isso acontece, o líquido já passou, e a troca é naquela hora — não no fim do expediente.

Cozimento: vapor e superfície quente

Antes do corte, a castanha passa por um tratamento térmico que amolece a casca e facilita a separação. Quem abre o cozedor, retira os cestos e movimenta a castanha quente lida com vapor e com superfície quente, que são riscos diferentes do LCC e pedem luva diferente: proteção contra calor de contato é uma característica própria, que consta no Certificado de Aprovação.

É o posto em que uma luva só costuma falhar nos dois sentidos. A luva térmica não segura o líquido, e a luva química não aguenta o cesto quente. Separar os dois postos na lista de compra resolve mais do que procurar a luva que faça tudo.

Corte e quebra: a mão perto da máquina

No corte, a castanha é posicionada à mão numa máquina de lâmina, muitas vezes acionada por pedal, centenas de vezes por turno. O risco para a mão é mecânico, e o que protege de verdade é a própria máquina: guarda, posição de trabalho e treino. Luva não protege de prensagem, e insistir nela atrasa a solução certa.

Ao mesmo tempo, é o posto com mais contato com o LCC, porque a lâmina abre a casca e o líquido escorre. Por isso a luva desse posto é escolhida pelo líquido, e a proteção contra o corte vem da máquina.

Estufa, despeliculagem e seleção

Depois do corte, a amêndoa seca em estufa, perde a película e é classificada, quase sempre à mão e sentada, por horas. O risco químico cai, e aparecem a poeira da película, o calor perto da estufa e a postura. Aqui a queixa costuma ser de cansaço e de dor, e a resposta é organização do posto e pausa, mais do que equipamento.

Vale uma separação que confunde muita gente em indústria de alimento: touca, máscara higiênica e luva descartável de manipulação existem para proteger o produto, pelas boas práticas de fabricação. Elas não são EPI e não protegem o trabalhador do LCC. As duas listas convivem, e uma não substitui a outra.

O pé e o piso

Resíduo de LCC e de óleo no chão deixa o piso escorregadio, e boa parte da fábrica é de jornada em pé. Onde não há risco de queda de objeto pesado, calçado ocupacional antiderrapante e fechado atende melhor e cansa menos. Onde há movimentação de sacas e de cestos pesados, a categoria muda para calçado com biqueira.

O que costuma faltar no pedido

  • Luva de reposição durante o turno. Luva que entrou em contato com o líquido tem vida curta, e quando a reposição falta, a equipe trabalha sem.
  • Luva térmica separada da luva química. O posto do cozimento e o posto do corte pedem coisas diferentes, e viram um item só na hora da compra.
  • Avental impermeável para quem manipula castanha crua e casca, que respinga no corpo e não só na mão.
  • Proteção para quem limpa. Quem recolhe casca e lava o piso encontra o mesmo líquido, e raramente está na lista.
  • Calçado antiderrapante onde o piso acumula resíduo, e não o mesmo calçado para a fábrica inteira.

O que verificar antes de comprar

  • Quais etapas existem na fábrica: cozimento, corte, estufa, despeliculagem, seleção, embalagem.
  • Em quais postos há contato direto com a casca e com o líquido.
  • Se o LCC é recolhido e armazenado, e se há ficha de segurança dele.
  • A medição de ruído, onde houver máquinas de corte em série.
  • Onde há movimentação de sacas e cestos pesados, e onde não há.
  • O CA de cada item, lembrando que proteção química, contra calor e contra corte são aprovações separadas.

Na minifábrica, essa conversa costuma cair na cooperativa ou no dono, que já faz tudo. Vale montar a lista por posto uma vez, escrita, e repor a partir dela. Se a unidade fica na Região Metropolitana, o texto sobre EPI na Região Metropolitana de Fortaleza trata de como organizar a compra quando a empresa tem mais de um endereço.

Fontes

Este texto tem finalidade informativa e orienta a escolha de equipamentos de proteção. Não substitui a avaliação de riscos do ambiente de trabalho, que deve ser feita por profissional habilitado quando necessária.

Perguntas frequentes

Por que a mão de quem quebra castanha fica rachada?

Por causa do líquido da casca. Ele contém ácido anacárdico, que irrita e queima a pele por contato e não sai com água. Sem luva compatível, o contato repetido ao longo do turno racha e fere a pele das mãos.

Touca e máscara da fábrica de alimentos são EPI?

Não. Touca, máscara higiênica e luva descartável de manipulação existem para proteger o produto, pelas boas práticas de fabricação. O EPI protege o trabalhador, e é escolhido pelo risco do posto. Numa fábrica de castanha as duas listas convivem.

Minifábrica precisa do mesmo EPI que a indústria grande?

Precisa da mesma proteção, porque o risco é o mesmo: o líquido da casca queima a pele nas duas. O que muda é a quantidade, a organização da compra e, às vezes, o equipamento de corte, que na minifábrica costuma ser mais manual.

Atendimento direto

Quais etapas a sua fábrica tem?

Conte do cozimento à embalagem, e em quais postos há contato com a casca. A gente separa a lista por posto, porque o corte e o cozimento não pedem a mesma luva.

Sua mensagem já vai assim“Olá! Vim pelo site da Tower. Trabalho com beneficiamento de castanha de caju e queria ajuda para montar a lista de EPI por posto da fábrica.”O botão abre o WhatsApp, que é um serviço de terceiro. A mensagem vai pronta, mas quem envia é você. Privacidade.